‘O Som ao Redor': confira entrevista exclusiva

Rodando o mundo para apresentar o seu premiadíssimo filme “O Som ao Redor”, see o diretor Kleber Mendonça Filho achou uma brecha na agenda para responder algumas perguntas do VIVO OPEN AIR. Em entrevista exclusiva, o cineasta comemorou as oportunidades de “fugir” das salas multiplex de cinema e a mudança do Recife, transformado em importante área de produção tanto nas telonas quanto na música. Leia a entrevista completa abaixo e garanta seu ingresso para a pré-estreia de “O Som ao Redor” no maior telão a céu aberto do mundo, dia 28 de novembro.

VIVO OPEN AIR: O seu curta-metragem “Vinil Verde” já tinha sido exibido no Open Air anos atrás (2009) e agora você volta a fazer parte da programação com seu longa-metragem. O que acha do Open Air?

KLEBER MENDONÇA FILHO: O Vivo Open Air faz parte de uma manifestação bem interessante de exibições ao ar livre que existe hoje no mundo. Em NY, acontece no Central Park, em Los Angeles, há sessões incríveis num cemitério. Esse ano, estive no Festival de Locarno como jurado e vi as famosas sessões na Piazza Grande, projeções impressionantes em som e imagem. Acho que isso me deixou mais relax em relação ao convite do Vivo Open Air. Em Locarno, funciona maravilhosamente bem para oito mil pessoas. Amigos do Rio e de SP me falaram que as sessões do Vivo também são excelentes e a lista de equipamentos enviada pela produção me deixou tranquilo.

VOA: Cineastas naturalmente têm uma comoção com o ambiente tradicional do cinema: a sala fechada, a tela grande. O Open Air tem a maior tela do mundo, mas não tem a sala fechada. É aberto e o mar do Recife será o fundo da paisagem. Como a mudança do ambiente mexe com a sensibilidade de um cineasta ao ver seu trabalho projetado, se é que mexe?

KMF: O mais importante é que o filme passe perfeito em som e imagem. Com o posicionamento certo da platéia, ambiente adequadamente escuro e som e imagem excelentes, funciona bem. Esse ano vi também uma sessão de Tubarão, de Spielberg, na praia, em Cannes. Foi incrível.

VOA: Você é pernambucano. Sua história profissional e pessoal é ligada à cidade. Como vê o fato de o Open Air chegar à sua cidade, com a pré-estreia de um filme seu?

KMF: Recife gosta de cinema e tem uma movimentação cultural muito forte. Creio que há uma curiosidade grande em relação a essas sessões. Acho também que juntando as sessões do Janela Internacional de Cinema no São Luiz, centro da cidade, a sessão de Cláudio Assis sábado passado no Parque de Esculturas de Brennand, e as sessões do Vivo, temos um esboço interessante de reação à situação estabelecida pelo mercado de ver filmes no Recife apenas em multiplexes de shoppings. Isso é bom.

VOA: Você é contemporâneo de músicos recifenses que mudaram a perspectiva da cidade através da arte. O Open Air é um evento que junta essas duas formas: cinema e música. Você curte essa aproximação? Faz algum paralelo estético entre a sua criação cinematográfica e a música contemporânea de artistas pernambucanos?

KMF: Nos anos 90, quando a música estava pegando fogo, nós realizadores nos aproximamos de maneira muito natural dessa cena musical, fazendo clipes e usando músicas em trilhas sonoras. Foi assim que trabalhei com Helder “DJ Dolores” no que foi o primeiro trabalho dele. Tanto a música como o cinema chamam muito atenção para essa movimentação que destaca de certa forma o Recife como área importante de produção. Acho que, em termos gerais, o que se faz no Recife, música, artes plásticas, cinema, tem um toque muito pessoal e peculiar. Isso é excelente.

VOA: Em entrevista, você disse que antes de rodar “O som ao redor” reassistiu todos os filmes do Tarantino. Agora, no dia seguinte à exibição do seu filme, é exatamente Tarantino, com “Pulp Fiction” que será exibido no Open Air. Acha legal essa coincidência?

KMF: É verdade que antes de filmar revi os filmes de Tarantino, mesmo que meu filme não tenha muitas relações com os filmes deles, que são excelentes, mas com outro estilo. Mas gosto muito de sentir a energia que os filmes dele têm, uma alegria de fazer filmes, e isso é perceptível em cada um dos filmes que ele fez. Sobre a coincidência, acho sempre que o mundo do cinema é pequeno e que não há coincidências, tudo acontece de maneira muito orgânica, na melhor das hipóteses.

VOA: Qual filme do Open Air Recife que te deixe com vontade de ir lá no Cais de Santa Rita assistir?

KMF: Holy Motors é um dos meus filmes preferidos esse ano. E Curtindo a Vida Adoidado em tela grande e som alto deverá ser uma festa.

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